Contos da Terra Alta - Capítulo VII
Frôxo e Blue estavam exaustos. Caminhavam desde o raiar do dia e agora o sol estavam bem acima deles, castigando-os alegremente. Barangorn não demonstrava o menor sinal de cansaço, e já criara uma boa distância deles.
- Pera!! Barangorn! Pera aê! – Suplicava Blue. Barangorn parou. Já era hora de fazer uma pausa para comerem alguma coisa e explicar-lhes o que iriam enfrentar mais adiante. A floresta sombria já surgia ameaçadoramente na frente deles, e Barangorn não queria perder muito tempo naquele lugar.
- Vamu cumê. Mai nóis tem qui ser rápitu.
- Que merda ele falou? – Frôxo ainda não tinha se adaptado ao sotaque do nobre guia, mas já conseguia entender muita coisa. Só às vezes que seu vocabulário lhe traía.
- Hora da bóia. Se quiser descansar, aproveita. Parece que ele tá com pressa. – traduziu Blue.
- Ufa, já era hora! E o que temos pra comer?
Barangorn desempacotou os biscoitos e entregou alguns para os dois. Frôxo desanimou:
- Não! Mithril de novo não!
Já fazia uns cinco dias desde o primeiro encontro com Barangorn. A única coisa que eles comeram nesses dias foi mithril. Depois desse tempo, por mais gostoso que seja, ninguém agüenta sequer ver um biscoito de mithril na frente.
- Si num quer, mior. Soba mais.
- Merda... – Frôxo começou a comer o biscoito, desconsolado.
Depois de “almoçarem”, Barangorn permitiu os dois fazerem um rápido descanso. Quando já era hora de partiu, fez o aviso:
- Iscuti beim us tois. Naquela floreta teim um cimitériu. Num tá muitu tempu de caminhata não. Numa tarte nóis atraveta ela. Só num queru ficá lá di noite.
- É o cemitério clandestino? Ouvi falar que fica nestas terras – O rosto preocupado de Blue assustou Frôxo.
- É tim tinhô.
- Mas é mal-assombrado! Não vou por aí, não senhor!!!
Frôxo tremeu ao escutar “mal-assombrado”. Começou a dar sua característica crise de risos.
- O tinhô é um homi ou um pratu de papa? Di tardi não teim pirigu não tinhô – e sem dizer mais nenhuma palavra, Barangorn declarou por encerrada a questão. Começou a caminhar em direção à floresta, em um passo rápido. Sem mais o que dizer, Blue e Frôxo correram para acompanhá-lo.
Não demorou muito para que eles estivessem no coração da floresta. Nem conseguiam enxergar uma trilha ali. Dependiam apenas da experiência de Barangorn. De súbito, o guia pára. Quando os outros dois o alcançou, descobriram o porquê: havia o corpo de um homem no chão, segurando firmemente uma garrafa de pinga.
- Um... um... mooor... – Blue nem completou a frase, pois desmaiou ali mesmo. Barangorn apenas verificou o pulso do homem caído. Deu uma rápida olhada no lugar e concluiu:
- U nomi dele era Zé. Ele morreu di cirroti aguda. Ele tava pateando aqui com um amigu, us tois tavam bêbadu. Inclusivi o amigu dele qui si chamava Zé, morreu tamém. Eles viram alguma coisa assustatora, tenhu certeta.
- Assustadora como uma lápide quebrada e uma cova aberta?? Tem até um nome aqui... deixa ver... “aqui jaz (censurado*)”...
- Nããããããããuuuuuumm!!!! – Barangorn saltou sobre Frôxo, tapando sua boca. O coitado do rapaz ficou aturdido, sem saber o que se passava.
- Nunca mai ripita ete nomi, ententeu??
Frôxo fez que sim com a cabeça. Queria saber o porquê, mas tinha medo do que podia descobrir. A cara de desespero que Barangorn fez não ajudou muito também.
- Vamu imbora daqui, antis que anoiteta. Pega nus braçus du ratu qui eu pego as perna.
E assim atravessaram a floresta, sem maiores problemas. É verdade que bateram a cabeça de Blue algumas vezes nas raízes que estavam expostas, já que pela forma que o carregavam, ela pendia livre. Mas não causou nenhuma seqüela, como confirmariam mais tarde. Quando a noite caiu, eles já estavam diante de uma grande montanha, único obstáculo que os separavam do pântano do Paul. Finalmente Blue tinha recobrado os sentidos:
- Droga, que dor de cabeça! Onde estamos?
- Mas que belo, hein? Desmaiando feito uma moça... – repreendeu Frôxo.
- Cala a boca, donzelo. Não posso ver sangue.
- Mas não tinha sangue ali.
- Mas eu poderia encontrar mais cedo ou mais tarde. Melhor ter desmaiado logo. Já atravessamos a floresta?
- Já tim tinhô. Aminhã vamu entrá nas mina dentu da montanha. Tem genti qui diz qui Flautulos mora aí dentu da montanha. Entaum a genti vai passar rapidin, intenteram?
- Mas quem é Flautulos? – perguntou Frôxo.
- Ah, cala a boca. Melhor você não conhecer. Dorme aí que amanhã o dia é cheio. Boa noite vocês todos.
Os três se acomodaram e não tiveram problemas para dormir, exceto Frôxo. O incidente do nome proibido ainda martelava na sua cabeça. Decidiu perguntar a Blue:
- Blue? Acorda!
Escutou um gemido como resposta. Continuou:
- Blue? Tá acordado?
- Agora estou. Que foi?
Frôxo contou o que acontecera na floresta. Blue não deu muita atenção. Estava ainda com aquela enxaqueca estranha, e também muito sono.
- Ah, faz o que ele mandou. Fica quieto e não fala mais. Tem umas histórias por aí, que se você falar um certo nome três vezes, algo ruim acontece. Agora vai dormir.
Frôxo ainda estava encucado. O que aconteceria se chamasse aquele nome por mais duas vezes? Ele logo, logo saberia. Como? Em um outro capítulo vocês ficarão sabendo.
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* Censurado: quando você, caro leitor, ver esta palavra entre parênteses, saiba que aqui foi citado o nome de Você-Sabe-Quem. Por motivos óbvios, o nome foi suprimido desta obra. Cuidamos também da sua segurança.
- Pera!! Barangorn! Pera aê! – Suplicava Blue. Barangorn parou. Já era hora de fazer uma pausa para comerem alguma coisa e explicar-lhes o que iriam enfrentar mais adiante. A floresta sombria já surgia ameaçadoramente na frente deles, e Barangorn não queria perder muito tempo naquele lugar.
- Vamu cumê. Mai nóis tem qui ser rápitu.
- Que merda ele falou? – Frôxo ainda não tinha se adaptado ao sotaque do nobre guia, mas já conseguia entender muita coisa. Só às vezes que seu vocabulário lhe traía.
- Hora da bóia. Se quiser descansar, aproveita. Parece que ele tá com pressa. – traduziu Blue.
- Ufa, já era hora! E o que temos pra comer?
Barangorn desempacotou os biscoitos e entregou alguns para os dois. Frôxo desanimou:
- Não! Mithril de novo não!
Já fazia uns cinco dias desde o primeiro encontro com Barangorn. A única coisa que eles comeram nesses dias foi mithril. Depois desse tempo, por mais gostoso que seja, ninguém agüenta sequer ver um biscoito de mithril na frente.
- Si num quer, mior. Soba mais.
- Merda... – Frôxo começou a comer o biscoito, desconsolado.
Depois de “almoçarem”, Barangorn permitiu os dois fazerem um rápido descanso. Quando já era hora de partiu, fez o aviso:
- Iscuti beim us tois. Naquela floreta teim um cimitériu. Num tá muitu tempu de caminhata não. Numa tarte nóis atraveta ela. Só num queru ficá lá di noite.
- É o cemitério clandestino? Ouvi falar que fica nestas terras – O rosto preocupado de Blue assustou Frôxo.
- É tim tinhô.
- Mas é mal-assombrado! Não vou por aí, não senhor!!!
Frôxo tremeu ao escutar “mal-assombrado”. Começou a dar sua característica crise de risos.
- O tinhô é um homi ou um pratu de papa? Di tardi não teim pirigu não tinhô – e sem dizer mais nenhuma palavra, Barangorn declarou por encerrada a questão. Começou a caminhar em direção à floresta, em um passo rápido. Sem mais o que dizer, Blue e Frôxo correram para acompanhá-lo.
Não demorou muito para que eles estivessem no coração da floresta. Nem conseguiam enxergar uma trilha ali. Dependiam apenas da experiência de Barangorn. De súbito, o guia pára. Quando os outros dois o alcançou, descobriram o porquê: havia o corpo de um homem no chão, segurando firmemente uma garrafa de pinga.
- Um... um... mooor... – Blue nem completou a frase, pois desmaiou ali mesmo. Barangorn apenas verificou o pulso do homem caído. Deu uma rápida olhada no lugar e concluiu:
- U nomi dele era Zé. Ele morreu di cirroti aguda. Ele tava pateando aqui com um amigu, us tois tavam bêbadu. Inclusivi o amigu dele qui si chamava Zé, morreu tamém. Eles viram alguma coisa assustatora, tenhu certeta.
- Assustadora como uma lápide quebrada e uma cova aberta?? Tem até um nome aqui... deixa ver... “aqui jaz (censurado*)”...
- Nããããããããuuuuuumm!!!! – Barangorn saltou sobre Frôxo, tapando sua boca. O coitado do rapaz ficou aturdido, sem saber o que se passava.
- Nunca mai ripita ete nomi, ententeu??
Frôxo fez que sim com a cabeça. Queria saber o porquê, mas tinha medo do que podia descobrir. A cara de desespero que Barangorn fez não ajudou muito também.
- Vamu imbora daqui, antis que anoiteta. Pega nus braçus du ratu qui eu pego as perna.
E assim atravessaram a floresta, sem maiores problemas. É verdade que bateram a cabeça de Blue algumas vezes nas raízes que estavam expostas, já que pela forma que o carregavam, ela pendia livre. Mas não causou nenhuma seqüela, como confirmariam mais tarde. Quando a noite caiu, eles já estavam diante de uma grande montanha, único obstáculo que os separavam do pântano do Paul. Finalmente Blue tinha recobrado os sentidos:
- Droga, que dor de cabeça! Onde estamos?
- Mas que belo, hein? Desmaiando feito uma moça... – repreendeu Frôxo.
- Cala a boca, donzelo. Não posso ver sangue.
- Mas não tinha sangue ali.
- Mas eu poderia encontrar mais cedo ou mais tarde. Melhor ter desmaiado logo. Já atravessamos a floresta?
- Já tim tinhô. Aminhã vamu entrá nas mina dentu da montanha. Tem genti qui diz qui Flautulos mora aí dentu da montanha. Entaum a genti vai passar rapidin, intenteram?
- Mas quem é Flautulos? – perguntou Frôxo.
- Ah, cala a boca. Melhor você não conhecer. Dorme aí que amanhã o dia é cheio. Boa noite vocês todos.
Os três se acomodaram e não tiveram problemas para dormir, exceto Frôxo. O incidente do nome proibido ainda martelava na sua cabeça. Decidiu perguntar a Blue:
- Blue? Acorda!
Escutou um gemido como resposta. Continuou:
- Blue? Tá acordado?
- Agora estou. Que foi?
Frôxo contou o que acontecera na floresta. Blue não deu muita atenção. Estava ainda com aquela enxaqueca estranha, e também muito sono.
- Ah, faz o que ele mandou. Fica quieto e não fala mais. Tem umas histórias por aí, que se você falar um certo nome três vezes, algo ruim acontece. Agora vai dormir.
Frôxo ainda estava encucado. O que aconteceria se chamasse aquele nome por mais duas vezes? Ele logo, logo saberia. Como? Em um outro capítulo vocês ficarão sabendo.
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* Censurado: quando você, caro leitor, ver esta palavra entre parênteses, saiba que aqui foi citado o nome de Você-Sabe-Quem. Por motivos óbvios, o nome foi suprimido desta obra. Cuidamos também da sua segurança.

2 Comments:
Put´s!
Coitado de Frouxo!
Ele vai falar esse nome???
Merrrda!
Essa foi imoral...
Devia ter apanhado pra focar roxo, pra aprender a não falar essas coisas!
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