Contos das Terras Altas - Capítulo VI (Agora sim!)
A primeira coisa que Frôxo e Blue trataram de fazer foi contratar um guia. Só que, depois de passar seis dias a procura de alguém para levá-los com segurança ao Paul, eles estavam a ponto de desistir. O dinheiro que Blue conseguiu de Frô... da venda dos elefantes já estava se esvaindo. A única esperança estava em um vilarejo próximo, na qual eles ouviram rumores de existir um experiente guia vivendo por lá.
Ao chegarem no vilarejo, os dois se surpreenderam com o tamanho deste. Era apenas uma rua, com uma mangueira em um dos terrenos baldios. Incrivelmente, era uma das vilas mais famosas das Terras Altas, a vila da Mangueira. O motivo de tanta fama nenhum historiador conseguiu explicar ainda.
Frôxo e Blue entraram na taverna mais próxima. Era uma taverna pobrezinha, que nem chegava a lembrar o luxo presente na taverna do Lunático. Os dois se acomodaram em uma mesa. Blue alertou Frôxo:
- Olha, não peça leite. Não queremos chamar atenção.
Frôxo assentiu com uma série de risinhos nervosos. O taverneiro aproximou-se deles:
- O que vai ser?
- Informação. Na verdade estamos aqui a procura de um nobre cavaleiro retirado, que agora trabalha como guia – ao dizer isto, Blue deixou uma moeda sobre a mesa.
- Barangorn? É, ele vive aqui sim. É só procurar a casinha no fim da rua.
- Valeu, truta! Vambora, Frôxo. É hoje que a gente encontra o guia!
E assim, os dois foram em busca do ilustre cavaleiro-guia. Ao chegar na casinha, viram aquela figura trajando um chapéu de palha, palitando os dentes.
- É por acaso vossa ilustre figura que se intitula, por mérito e honra, Barangorn? – disse Blue fazendo inúmeras reverências. Frôxo não entendeu nada do porquê de tanta formalidade. Ele não sabia que estava diante de uma das lendas da Terra Alta, aquele que um dia já foi chamada de Sir Barangorn, um dos mais nobres cavaleiros que pisaram aquele solo. Depois de um cutucão de Blue, ele também fez uma mesura.
- Tou tim tinhô! Tem ta terenu falá cumigu?
- É o quê??!?!? Que foi que ele falou?
Blue deu um tapa em Frôxo e alertou-lhe num cochicho:
- Cala a boca, idiota. Este homem pode matá-lo com um simples movimento. Ele já foi um dos grandes desta terra.
- E ele não aprendeu a falar?? O que...
Frôxo não teve oportunidade de completar sua pergunta, pois levou outra tapa de Blue. Este por sua vez, dirigiu-se a Barangorn, com toda a adulação que lembrava de possuir:
- Ó grande e honrado que-uma-vez-foi-mas-sempre-será ilustre cavaleiro das Terras Altas, salve, salve! Viemos nós aqui, eu e este imbecil, humildemente pedir-vos a vós que por sua graça e incontestável senso de justiça e caridade, nos auxilie e ajude a encontrar uma criatura que vive nos pântanos do Paul.
- Tinte mueda de ôro*.
- Hein?
- Meu preçu. O tinhô acha qui trabaio de grata?
- Mas, mas... e toda aquela história de honra, caridade, e tal?
- Tou honrádu, mai num tou burro.
- O senhor parcela?
- Podi te, tim tinhô.
- Ótimo. Frôxo, cadê seu cartão?
- Ué, pensei que você tivesse dinheiro suficiente.
- Não discute. Traz ele aqui.
- Ta bom, tá aqui, toma.
Uma vez que o pagamento foi efetuado, Barangorn tratou de fazer os preparativos da viagem. Depois de reunir os mantimentos, foi a vez de reunir as armas. Afinal, nunca se sabe quando se precisará de uma.
- Ispere aqui, qui vou pegá umas armatura e ispata de mítil pá nois.
- Armadura e espada de quê ele disse?
- Mithril**.
- Mithril?? Caraca!!! Ele tem arma de mithril aqui???!?
Depois de todos os preparativos prontos, os três partiram em viagem. Não tardou muito para que se metessem em mais confusão, mas isto é história para um outro capítulo.
_____________________________________________________
* moedas de ouro: umas das unidades monetárias utilizadas nas Terras Altas. Correspondem cada uma a, mais ou menos, R$ 1.000,00. Lógico que esta conversão sofre diversas flutuações, fruto da economia autista.
** mithril: material extremamente resistente e raro, considerado ainda mais duro que o diamante, embora seja extremamente leve. Muitos acham que se trata de um minério raríssimo, enquanto os mais esotéricos afirmam que ele é extraído das escamas de um dragão. Na verdade, o mithril é uma iguaria da culinária autista. É nada mais que raspas de quenga de côco, assadas com farinha de mandioca e diversos condimentos típicos dos autistas. Depois de uma semana, ela fica tão dura que é praticamente inquebrável. Isto explica o porquê da sua raridade. Ninguém agüenta esperar uma semana sem comê-la. É normal qualquer ferraria que trabalhe com mithril falir, por simples falta de material. Isto explica também a surpresa de Frôxo quando soube que Barangorn tinha armas forjadas em mithril na sua casa. Sua reação deve-se, em segundo lugar, por saber quão raro é o mithril e, em primeiro lugar, por estar faminto na hora.
Ao chegarem no vilarejo, os dois se surpreenderam com o tamanho deste. Era apenas uma rua, com uma mangueira em um dos terrenos baldios. Incrivelmente, era uma das vilas mais famosas das Terras Altas, a vila da Mangueira. O motivo de tanta fama nenhum historiador conseguiu explicar ainda.
Frôxo e Blue entraram na taverna mais próxima. Era uma taverna pobrezinha, que nem chegava a lembrar o luxo presente na taverna do Lunático. Os dois se acomodaram em uma mesa. Blue alertou Frôxo:
- Olha, não peça leite. Não queremos chamar atenção.
Frôxo assentiu com uma série de risinhos nervosos. O taverneiro aproximou-se deles:
- O que vai ser?
- Informação. Na verdade estamos aqui a procura de um nobre cavaleiro retirado, que agora trabalha como guia – ao dizer isto, Blue deixou uma moeda sobre a mesa.
- Barangorn? É, ele vive aqui sim. É só procurar a casinha no fim da rua.
- Valeu, truta! Vambora, Frôxo. É hoje que a gente encontra o guia!
E assim, os dois foram em busca do ilustre cavaleiro-guia. Ao chegar na casinha, viram aquela figura trajando um chapéu de palha, palitando os dentes.
- É por acaso vossa ilustre figura que se intitula, por mérito e honra, Barangorn? – disse Blue fazendo inúmeras reverências. Frôxo não entendeu nada do porquê de tanta formalidade. Ele não sabia que estava diante de uma das lendas da Terra Alta, aquele que um dia já foi chamada de Sir Barangorn, um dos mais nobres cavaleiros que pisaram aquele solo. Depois de um cutucão de Blue, ele também fez uma mesura.
- Tou tim tinhô! Tem ta terenu falá cumigu?
- É o quê??!?!? Que foi que ele falou?
Blue deu um tapa em Frôxo e alertou-lhe num cochicho:
- Cala a boca, idiota. Este homem pode matá-lo com um simples movimento. Ele já foi um dos grandes desta terra.
- E ele não aprendeu a falar?? O que...
Frôxo não teve oportunidade de completar sua pergunta, pois levou outra tapa de Blue. Este por sua vez, dirigiu-se a Barangorn, com toda a adulação que lembrava de possuir:
- Ó grande e honrado que-uma-vez-foi-mas-sempre-será ilustre cavaleiro das Terras Altas, salve, salve! Viemos nós aqui, eu e este imbecil, humildemente pedir-vos a vós que por sua graça e incontestável senso de justiça e caridade, nos auxilie e ajude a encontrar uma criatura que vive nos pântanos do Paul.
- Tinte mueda de ôro*.
- Hein?
- Meu preçu. O tinhô acha qui trabaio de grata?
- Mas, mas... e toda aquela história de honra, caridade, e tal?
- Tou honrádu, mai num tou burro.
- O senhor parcela?
- Podi te, tim tinhô.
- Ótimo. Frôxo, cadê seu cartão?
- Ué, pensei que você tivesse dinheiro suficiente.
- Não discute. Traz ele aqui.
- Ta bom, tá aqui, toma.
Uma vez que o pagamento foi efetuado, Barangorn tratou de fazer os preparativos da viagem. Depois de reunir os mantimentos, foi a vez de reunir as armas. Afinal, nunca se sabe quando se precisará de uma.
- Ispere aqui, qui vou pegá umas armatura e ispata de mítil pá nois.
- Armadura e espada de quê ele disse?
- Mithril**.
- Mithril?? Caraca!!! Ele tem arma de mithril aqui???!?
Depois de todos os preparativos prontos, os três partiram em viagem. Não tardou muito para que se metessem em mais confusão, mas isto é história para um outro capítulo.
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* moedas de ouro: umas das unidades monetárias utilizadas nas Terras Altas. Correspondem cada uma a, mais ou menos, R$ 1.000,00. Lógico que esta conversão sofre diversas flutuações, fruto da economia autista.
** mithril: material extremamente resistente e raro, considerado ainda mais duro que o diamante, embora seja extremamente leve. Muitos acham que se trata de um minério raríssimo, enquanto os mais esotéricos afirmam que ele é extraído das escamas de um dragão. Na verdade, o mithril é uma iguaria da culinária autista. É nada mais que raspas de quenga de côco, assadas com farinha de mandioca e diversos condimentos típicos dos autistas. Depois de uma semana, ela fica tão dura que é praticamente inquebrável. Isto explica o porquê da sua raridade. Ninguém agüenta esperar uma semana sem comê-la. É normal qualquer ferraria que trabalhe com mithril falir, por simples falta de material. Isto explica também a surpresa de Frôxo quando soube que Barangorn tinha armas forjadas em mithril na sua casa. Sua reação deve-se, em segundo lugar, por saber quão raro é o mithril e, em primeiro lugar, por estar faminto na hora.

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